segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Space Is The Place 6



http://www.myspace.com/roneijorgeeosladroes

A 6ª edição do Space Is The Place começa com prata da casa. Lá atrás, quando Ronei e seu bando lançaram a música "Aquela Dança", fiquei entusiasmado. Espero o dia em que uma banda de rock daqui fará uma releitura da guitarra baiana, assim como em Recife já fizeram com os maracatus, no Rio com o Samba. Sei que a comparação soa estranha, afinal de contas, os outros dois são ritmos, enquanto a guitarra baiana é um instrumento. É que eu já me adianto, e tiro da música baiana o que eu acho que se encaixaria bem no rock. Enfim, apesar de "Aquela Dança", não foi isso que ouvi no disco novo da RJLB. Entretanto, não me decepcionaram. Foram pra vertente que eu classificaria como carioca. Alguns chamaram de "transambas", como Caetano chamou suas músicas em seu último disco "zii e zie". Não sei se concordo. Não importa. Fizeram um discaço. As letras de Ronei sempre estranhas, mas de alguma forma verdadeiras e sofisticadas. A produção de Pedro Sá garantiu as munúncias, o bom uso dos instrumentos, dando as pancadas nos momentos certos, e manteve a cara da banda. "Frascos, Comprimidos, Compressas". A música baiana ganha mais uma grande surpresa esse ano.

http://www.myspace.com/groundation

Confesso que não sou um grande entendedor de reggae (mesmo que considere a única mpusica que entra pelos poros). Além de Bob Marley, de coisas que escuto picadas, aqui e ali, gosto de Ponto de Equilíbrio - o primeiro disco - e só. Desde algum tempo, porém, sempre vinha alguém me falar de Groundation. Tive que ouvir. Que bom. Os caras fazem um som muito bem feito, impressionante. Há quem diga que são a melhor banda de reggae do momento. Eu acredito.

http://www.myspace.com/wearephoenix

Essa eu acabei de descobrir. Só conheço uma música. Essa do clipe, que tem aí no myspace. Gostei. O resto, o futuro (e minha habilidade de ahcar discos no Google) dirão. Parece que eles não gostam muito de distribuir músicas online. Uma pena.


domingo, 25 de outubro de 2009

Sobre Os Bastardos (Atualizado!)

Bastardos Inglórios é um filme primoroso tecnicamente, e ninguém esperava menos, por se tratar de Tarantino, cineasta cujas habilidades já estão por demais comprovadas. Mas saí da sala intrigado. Como um filme tão bárbaro, tão violento (e dessa vez a violência tem outra dimensão das outras) pôde flutuar com tantos efusivos elogios e não ter tido nem ao menos uma restrição, nenhum questionamento ético a respeito de seu teor? Comecei a escrever um texto. Ainda não terminei. Mas mandaram esse blog, Cinecasulofilia, via Twitter, e finalmente achei alguém (além do meu irmão), que concordasse comigo. Cliquem no link e procurem abaixo. Vale a pena.

Atualização - Mais um texto chegou a mim, através do crítico e professor André Setaro, via Twitter. Antes de colocar aqui o link, gostaria de mostrar minha admiração por Setaro, de quem fui aluno e continuarei sendo, em conversas pelos bancos da Facom. Setaro gostou muito do filme de Tarantino, mas sempre que vê uma crítica desfavorável a Bastardos Inglórios faz questão de divulgar, uma atitude clara em favor do debate livre, atitude exemplar.
Enfim, indo ao texto, dessa vez quem escreveu foi Luiz Nazario, crítico e professor de Cinema da UFMG, autor dos livros Todos os corpos de Pasolini, As sombras móveis e Da natureza dos monstros. Concordando ou não, é sempre uma aula de Cinema:
- REVISIONISMO BASTARDO EM TECNICOLOR

Boa Leitura!



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"A Idade da Terra", um terremoto implode o cinema

A Idade da Terra (1980) é um filme de impressionante coragem. Último da cinematografia de Glauber Rocha - o enfant terrible do cinema brasileiro e nome máximo do Cinema Novo - a película destaca-se pela ousadia de linguagem, que põe em cheque, dentre outras convenções, a narrativa e a montagem clássicas (e epidêmicas) hollywoodianas. Radiação de sua forma, o filme dividiu a crítica e causou polêmica.

É inócuo, em A Idade da Terra, debruçar-se sobre as temáticas de Glauber de forma restrita, pois talvez elas sejam a marca maior do cineasta e, no filme, são explicadas pelo próprio diretor, em voz off, quase ao término da película. O que chama a atenção e merece análise, assim sendo, é o modo como Glauber desconstrói o cinema e faz da linguagem narrativa da câmera o símbolo-mor do caldeirão de incongruências e paradoxos antropológico-sociais brasileiros e terceiro-mundistas, seu interesse desde sempre. O cineasta constrói um filme metalingüístico e alegórico, em que se experimenta em cada escolha uma indissociável mistura entre forma e conteúdo. Cabe aqui citar a máxima do poeta russo Vladimir Maiakovski, “sem forma revolucionária não há arte revolucionária”, pois é esse o prisma fundamental para compreender A Idade da Terra.

A fita, um mosaico de frases de efeito em atuações apoteóticas, mostra momentos de quatro Cristos - um colonizador europeu (Tarcisio Meira), um negro (Antônio Pitanga), um pescador (Jece Valadão) e um guerreiro (Geraldo Del Rey), além do “demônio” do imperialismo norte-americano, Brahms (Maurício do Valle) - e se passa entre Brasília, Salvador e Rio de Janeiro, a atual capital do país e as duas ex-capitais.

Filmado originalmente para que seus 16 rolos fossem exibidos sem ordenação prévia, autonomamente, a montagem é uma das “cartas na manga” de Glauber. Essa premissa que, por um lado, restringe a análise, posto que o filme como o vemos (em sua versão em DVD) é nada mais que uma das possibilidades, por outro, numa leitura macro, permite desvendar algo mais interessante. Há, nesse artifício, o que talvez represente o maior desejo de Glauber para o povo brasileiro e para o cinema como expressão artística: liberdade. O espectador pode, em tese, escolher como quer ver o filme do mesmo modo que um povo deve ser soberano em seu país. Quebrar com a narrativa e montagem clássicas e, mais que isso, dar a opção de montar a obra como se deseja ver é, ao mesmo tempo, a luta contra Brahms, o imperialismo em pessoa, pela soberania brasileira. Do mesmo modo que, ao deixar na película diversos takes do mesmo plano, como nas cenas de Tarcísio Meira, Glauber nada mais faz que dar ao espectador a possibilidade de ver a obra por dentro, mostrando a ele as diversas possibilidades ao invés de escolher os melhores planos, o normal papel do diretor e do montador. Desconstrói, através da exposição da atuação sendo construída, a pompa do colonizador e de seu discurso populista, pura encenação.

A metalinguagem que permeia a obra desde a direção de atores durante as filmagens às imagens da trilha tocada ao piano mesmo sendo extradiegética, até Maurício do Valle bebendo água, reclamando de algum incômodo físico e pedindo desculpa a Glauber - e o próprio diretor aparecendo em cena - além da referência ao autor do filme enquanto criador dos efeitos, contraste claro com a invisibilidade do autor e da montagem clássica, parece querer, por vezes, a pura subversão dos códigos, exposição radical do cinema enquanto construção. Para além dessa constatação mais genérica, talvez represente uma tentativa de negar, a todo custo, modos cristalizados e falidos de fazer cinema, para o autor a cooptação da arte pela sua função comercial. Esse radicalismo, que em alguns casos parece buscar uma “estética das entranhas”, mostrando como funciona a máquina filme por dentro, noutros busca o conceitual em sua forma também mais apurada. A caracterização dos personagens é um bom exemplo disso. As atuações são bravas e apaixonadas, as falas, ditas com força, os figurinos, alegóricos, como o colar de ossos que vai ao pescoço dos Cristos vivos, ou o terno branco e a aparência demoníaca de Brahms, o lobo que tenta vestir-se de cordeiro, mas que, descompensado, fala a uma repórter o que realmente deseja: os cús dos negros, as “mulheres putas” e aproveitar-se da pressuposta corrupção brasileira. Personagens míticos, todos, de fato, oradores de uma verdade que não brota dos seus conflitos, mas do caos, uma problemática que é a do filme, mas também a de um povo, de uma nação, de um terceiro mundo subdesenvolvido e envolvido numa desordem imposta de cima, do topo da pirâmide de Brahms, construída nos jardins de Brasília. Ao dividir seu protagonista em quatro, quatro anti-heróis que representam a história de um povo, Glauber cria também uma interessante dicotomia com o gênero épico, caro ao cinema Hollywoodiano, e cria seu anti-épico, mantendo o tom retumbante e grandioso, mesmo que rasgado e propositalmente tosco, e acabando com a objetividade asséptica comum aos filmes do gênero.

A fotografia é outro importante e belo aspecto que segue a “confusão” do filme. A câmera, quase sempre na mão e com liberdade para mover-se quase nunca vista, mesmo em planos fixos muitas vezes busca ângulos tortuosos, como na entrevista em que o jornalista Carlos Castelo Branco fala do regime militar no Brasil, num trecho absolutamente documental. Noutro momento, em que Brahms, sua rainha e o Cristo guerreiro estão numa tensão sexual e psicológica, uma espécie de orgia de culpa e desejo (de sexo e poder), a câmera move-se chegando a ficar de ponta-cabeça. E há planos enormemente longos e fixos, principalmente os que retratam a inércia no palácio do Planalto, intensificados pelo Cinemascope. A luz certos momentos é dispensada pela penumbra e escuridão, da qual não há medo, narra-se também com ela.

Outro espetáculo à parte é a banda sonora, apesar da difícil afirmação, uma das áreas de maior subversão. As vozes off que entram e saem de cena a todo instante, por vezes do próprio diretor, o leque inacabável de músicas que passam pelos ritmos mais genuinamente brasileiros, como o forró e o samba, além dos batuques de Candomblé e do piano tenso. Muitas vezes, impulsionando a tensão, agoniando, perturbando.

Apesar de toda a coragem de Glauber ao encarar de peito aberto sua cruzada pela forma revolucionária, e do vigor que ainda tem A Idade da Terra, a experiência é antes de desconstrução. O filme parece buscar sacudir as estruturas, apresentar o caos da linguagem como caos social do Brasil - metonímia do terceiro mundo - pois é só da destruição/revolução que pode surgir o novo. Por esse mesmo motivo, também não chega a apresentar nenhuma inovação de linguagem consistente, que lance novos parâmetros à 7ª arte. Apesar de último filme de Glauber, ecoa mais como projeto a ser continuado, tarefa que ficou a cargo das novas gerações. Põe abaixo formas ultrapassadas e estáticas e deixa ao futuro a mensagem: está tudo errado, é hora de reconstrução.


* Crítica que eu fiz para o Concurso Estadual de Crítica Cinematográfica, mas que não foi premiada.
** Nas fotos, 1 - cartaz do filme, 2 - Maurício do Valle e Antônio Pitanga.
*** Deixo aqui meus parabéns ao vencedor do concurso, meu colega de sala, Ramom Coutinho.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cachoeiras

Eu acredito mesmo que cachoeiras revigorem as pessoas. Você fica ali por baixo, com aquele monte de água caindo sobre sua cabeça, ou ouvindo o som dela, sentindo o frio... É uma força enorme, dá medo. E quando você sai, parece que venceu uma etapa, a morte, o receio, uma sensação estranha por dentro. E tem ainda aquela água fria. E o fundo, seis metros de água embaixo de você. Lá, bem no fundo, um mistério. Mas você não vai ver, vai ficar batendo as pernas rapidamente, pra não afundar. Depois de um tempo você sai da água, se apoia nas pedras e sai andando por elas. A maioria enorme, bem maior do que você, bem mais duras, bem mais frias. Se você escorregar ou se desequilibrar, ela pode torcer seu pé, abrir sua cabeça, te partir ao meio. Nada ali pensa ou mede. Eles estão. Vão se chocar sem dó, te invadir de vez, enquanto o ar sai, sem lutar. Você é o único responsável pela sua vida, mais que nunca ao se expor assim. É estranho... e revigorante.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Começou o 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador!



Os fãs da 7ª arte têm um ótimo programa pro feriadão! Começaram hoje as exibições de cerca de 70 filmes, com produção de mais de 15 países, divididos em seis mostras, além de oficinas, palestras e cinepapo, que integram o 6º Festival Internacinal de Cinema de Salvador.

Os destaques ficam por conta dos longas Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, selecionado para o Festival de Veneza desse ano, a mostra exclusiva de documentários e CHE 2- A Guerrilha, de Steven Soderbergh.

Há ainda uma mostra muito interessante, a Novos Horizontes. Segundo o blog da Sala de Arte, "interseção do cinema com outras linguagens artísticas, experimentações estéticas, novas tecnologias e a ousadia de novos diretores são o diferencial das obras desta mostra". Todos os filmes passarão no Cine XIV, no Pelourinho.

Quem quiser saber mais, basta acompanhar as novidades e a programação completa na página do evento.

sábado, 3 de outubro de 2009

Santiago e Outros Tantos

Deveria ver mais filmes, penso sempre isso. Também tento e já fiz metas audaciosas para mim, três por semana, por exemplo. Mas sou irregular, confesso. Tenho fases, mesmo que o Cinema seja certeza. Tenho muitos filmes para ver, já comigo, e ainda baixo mais, 4 de vez, pela internet. Deveria ver antes os que já tenho, mas sou assim, não me contenho. Agora que estudo, com mais afinco, documentários, são eles que persigo com o Google (meu cão farejador). Ontem, ou anteontem, baixei os 4. Dentre, um de Eduardo Coutinho, um do qual vi trechos há alguns anos e gostaria de ver por inteiro (Ser e Ter) e um sobre idosos, assunto do qual devo falar em meu primeiro doc e que começo pesquisar a partir de agora, havia Santiago, de João Moreira Salles. Confesso que em 75% do filme a monotonia, mesmo que interessantíssimo o personagem, acompanhou-me. A bela voz que narra, os comentários do diretor sobre o filme que ele pretendera fazer doze anos antes e que concluía então para voltar à sua antiga casa, não supriam o outro lado da balança, e os sonolentos e estranhos depoimentos do estranho mordomo, ainda que interessante, contagiaram-me. Cheguei a cochilar por frações de segundos. Algo, no entanto, já me chamava a atenção. Os planos distantes e longos, a rispidez profissional e apressada com a qual tratavam o personagem, os planos repetidos e essas instruções à mostra. Mas não havia ainda um porque, e seguiu-se assim. Num momento, já perto do fim, no entanto, fui surpreendido. Numa demonstração de autoconhecimento, técnico e humano, João Moreira Salles diz, através da voz do seu irmão Pedro, que narra o filme, o essencial. Nos 5 dias de filmagem, dos quais as imagens utilizava apenas 12 anos depois, não soube, enquanto documentarista, aproximar-se do seu personagem. Continuaram mordomo e filho do patrão, e a distância incólume, fosso entre os dois. Mais, diz do desconforto de Santiago durante as filmagens, desconforto que sentimos enquanto escutamos as mesmas ordens que ele, que acata humilde e servil. Ao demonstrar tudo isso na tela, arriscando, inclusive, a audiência - posto que muitos, talvez, abandonariam o filme antes do final, devido a essa verossimilhança da forma (distante e monótona), por assim dizer, para apenas no final reconhecer-se como causa, o diretor demonstra uma enorme maturidade pessoal e formal. Recupera seu personagem nos "tempos mortos", momentos em que não há "nada" acontecendo, mas onde percebemos seus pequenos gestos, suas expressões, reações diante de alguma instrução, detalhes que acabam revelando talvez mais que os longos depoimentos. Também na narração, muito sensível e atenta, é feita essa remissão. Um filme ético e belo, consciente de si. Doze anos de distância até o autoconhecimento.

Leia a ótima entrevista de João Moreira Salles à Bravo.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Space Is The Place 5


Opa, mais um Space Is The Place chegando na área! Links do que há de melhor na música que toca no meu mp4. Egocêntrico, eu sei, mas de muito bom gosto, garanto. Estive pensando em fazer um especial melhores disco do ano até agora, mas como alguns já fora postados aqui, como o da banda Eddie, vou seguir listando as últimas boas surpresas. Lá vai:


http://www.myspace.com/grizzlybear
Alguém mandou um vídeo dessa banda pelo Twitter, eu escutei e não parei mais. É um dos sons mais gostosos dos últimos tempos. Boas vozes, melodias, composição instrumental interessante, músicas fortes. É lindo. Daquele tipo de som que consegue passar toda uma atmosfera só que, no caso da Grizzly Bear, das mais diferentes e surpreendentes, um outro mundo, no qual é um prazer entrar. Destaque pra Two Weeks e Knife.

http://www.myspace.com/cidadaoinstigado
Essa já era conhecida, e eu já gostava. Mas depois que ouvi o disco novo (Uhuuu!), rolou de vez: Catatau e suas galera fazem o rock mais interessante do Brasil no momento. Continua a pegadinha brega dos anteriores, mas o rock evoluiu bastante. O disco é redondinho e, como costumam falar, muito maduro. As composições têm mais vigor e as canções melhoraram muito - as mesmas letras loooucas de sempre, agora ainda mais dançantes!. Sem contar a participação de Arnaldo Antunes, imperdível. É o disco do momento, tô viciado. Destaque para O Cabeção, apesar de eu gostar do disco todo. Pena que no MySpace não tem ainda as músicas do disco novo, mas ainda assim vale a pena. Pra quem quer baixar o cd (os mais espertos, penso eu!rs) é só procurar pelo nome no Google, acha facim facim.

É isso aí, vou ficando por aqui!
Abraço a todos
e até mais ver!


* Na foto, os caras da Cidadão Instigado
.

domingo, 6 de setembro de 2009

Poema inédito no projeto Uníssono

Olá, leitores voadores.

Dias atrás, recebi um convite para publicar uns poemas num projeto bem interessante, o Uníssono, junto a outros nomes os quais admiro bastante. Agradeço aqui ao Gilson Figueiredo, quem me contactou, e posto abaixo o link, para que confiram o poema inédito "Beata Beat Fulminante" e mais dois outros poemas aqui do blog, escolhidos pelo Gilson, além de uma mini-bio, escrita por mim. Boa leitura!

Beata Beat Fulminante

Abraço a todos!
Até mais ver.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Notícias Por Lá



É só pra quem passar aqui também passar por lá, pelo VersosVoadores. É que eu acabei de postar a primeira letra que escrevi enquanto estava em San Francisco, CA. Veio-me primeiro a expressão, "cara macabro", que depois virou "cabra macabro" e depois letra toda. É uma homenagem a Glauber e a Corisco, criador e criatura, nessa coisa que a gente chama de arte e que é, na verdade, brincar de ser Deus.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Satisfações

A você, querido leitor solitário, dirigem-se as seguintes explicações, satisfações, mea culpa, como queira. A verdade é que eu me importo com essa entidade, que aqui é tão pouco identificável (eu poderia citar nomes, tão poucos são, mas prefiro não envolver ninguém tão diretamente; bastam vocês para acabarem com a própria reputação), mas que aparece, em números singelos, porém constantes, no Google Analytics. Sei da condição desse pobre veículo, em que, sobre, voam moscas, enquanto deveria ele estar cortando os céus internéticos a que se propõe. O motor do VV anda morno, e a culpa é de ninguém mais além de mim. Tenho andado ocupado demais, com a cabeça cheia demais. Então esqueço daqui, quando deveria, e talvez fosse mais profícuo, despejar minhas mirabolâncias e mesquinharias diárias nesse espaço em branco. Talvez vocês me ajudassem, comentando algo, sugerindo, ou simplesmente rindo dos meus percalços. Em todo caso, fica pra próxima semana, ou pra outra, uma resolução a contento. Enquanto isso, o veículo continua estacionado, mesmo que a vida vôe como nunca.

Abraço e até mais ver.



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu twitto, Tu twittas, Todo mundo twitta!

Não acredito que você ainda não sabe o que é o Twitter. Se a sua pessoa estava voando a ponto de não saber o que se passa nesse site, continue lendo, sem pestanejar. O Twitter é a nova febre das redes sociais, a coqueluche dos famosos, a revolução internética!
Tirando a brincadeira, num é que o troço é mesmo interessante?! O Twitter consiste basicamente no seguinte: você cria uma conta, como em qualquer outra rede social, escolhe uma foto pro perfil, escreve uma mini-bio, se quiser, adiciona também um link, se tiver, e pronto. Daí você escolhe seguir quem você quiser, o que significa receber o que a pessoa escreve, e as pessoas que também têm Twitter, por outro lado, também poderão escolher te seguir, caso queiram. Essa relação, como vocês devem ter percebido, não precisa ser recíproca. Por exemplo, há um tanto de artista famoso no Twitter, e você, vai querer seguir vários deles. como o Latino (gente, isso foi apenas uma hipótese, se acalmem). Mas o Latino, provavelmente, não vai estar nem aí para te seguir, já que ele é uma estrela (opa, essa é uma hipótese ainda mais estapafúrdia; o Latino ser estrela, claro). Ah, e detalhe: as mensagens têm, no máximo, 140 caracteres, ou seja, são pequenos grãos, por assim dizer. Enfim, é mais ou menos isso, apesar do textinho ter saído meio confuso.
O mais legal é que as pessoas mandam vários links interessantes, de textos, vídeos, jogos, etc. Além disso, e além dos chatos escrevendo que peidaram tal hora, escovaram o dente noutra, há muita gente interessante fazendo comentários engraçados sobre absolutamente tudo. Outra coisa bacana são os perfis de sites sobre cultura, de um modo geral, que dão dicas de filmes, programação de espetáculos, notícias. É um mundão de informação, é só você escolher seguir as fontes certas.
Então que eu criei o meu Twitter e estou me divertindo pacas. Quem for entrar na onda e quiser me seguir, é só clicar @AlvaroAndrade, depois ir em "folow" e voilá! Além disso, tem, a partir de agora, uma caixa ali do lado esquerdo, em que há as atualizações do meu Twitter.

Boa noite, e vejo vocês no Twitter!


domingo, 19 de julho de 2009

1/2

Isso de a gente querer se comunicar acho que é o que mais conta, junto com o querer ser. É como se quiséssemos ser para então comunicar o que somos e então existir para quem a gente quer existir. Talvez. A maioria das pessoas tem jeitos ora muito comuns, ora muito específicos de se comunicarem. Às vezes, mistura. E tem os artistas, que podem ser qualquer um que queira. Não são melhores que ninguém, mas dizem as coisas de um jeito que é, ao mesmo tempo, específico e altamente comunicável. Acho que, por isso, os bons artistas ficam por tanto tempo. Pelo potencial de comunicar de suas obras. Mas isso, muitas vezes, nem ele mesmo controla. Falam de antenas, como se previssem tendências, o que seria uma explicação para a revisitação da obra. Eu não sei... talvez. E tem as artes, que aqui são mais um exemplo que via única. Queria falar de música, mas poderia ser de barcos de papel, desenhos na areia, uma dança diferente, um jeito de atirar a pedra, ou como guiar o olhar. Pra mim tem sido música. Um jeito novo de me comunicar que tem se tornado um tornado (sem saída desde a primeira palavra). No sentido de energia e forma e descontrole, embora eu não tenha certeza quanto a essa última. Mas é muito bom escrever uma letra e vê-la se encaixando, se arrumando entre a melodia, e o contrário, e como uma é importante pra outra e o tanto que isso é essencial e bobo ao mesmo tempo. Eu posso passar horas tocando a mesma música, várias músicas, um pedaço de cada, conversando sobre isso. O processo. O processo é muito importante. Eu aprendo muito mais explicando, muito mais ouvindo. Criar é não ter regras, antes de tudo. E conversar é pensar, e tocar é sentir. Não sei onde isso tudo vai me levar, muito menos aonde vai esse texto escrito assim de improviso. Nem sou bom escrevendo textos assim. Prefiro falar. Falar é escrever a quatro mãos, a seis, a mil. Mas vai mais essa mensagem torta se espalhar por aí. O poder das coisas ditas e escritas. Porque é difícil dizer. É sim. Por isso não se deve dizer muitas coisas à tôa. Principalmente coisas importantes. Porque é tão difícil... Tem hora que eu paro e fico sentindo o que eu não sei dizer. Posso até saber pra quem, mas o que dizer?! A retórica não diz nada ao indizível. Mas dele, de alguma forma, sai tudo de mais bonito que possa ser dito. Como se fossem sentimentos, só. Ora pequenos, ora bem grandes, ora músicas, ora poemas, qualquer outra coisa que se possa moldar ou tirar do lugar. Ou simplesmente notar, e se encantar profundamente. Mesmo o imóvel se move. A gente tem que estar livre e atento. Atento porque livre. E dizer mais agora?, se as coisas são todas pelo meio...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

As Paradas Do Cara

IMPERDÍVEL o disco novo do Lucas Santtana. Eu já considerava o cara o melhor da música baiana contemporênea (sim!, baiana, carioca, paulista, marciana, etc.). É que o Lucas é baiano, mas não mora aqui há um bom tempo; seus discos anteriores, porém, têm muito ainda da Bahia, não só nas letras, mas nos batuques à toda e no sangue, a gente percebe. Nesse agora, vem com uma proposta um banquino e um violão (ainda bem bahiano, não?), mas com ambiente, como ele mesmo disse por aí. Daí que a pretenção quando é correspondida não tem nada melhor. Faltam seis meses, e eu digo que é um dos melhores lançamentos do ano. O violão se desdobra em mil, as texturas e efeitos e vozes se espalham pela casa. E os zumbidos nos pés dos ouvidos. "Close to her, close to her"...

Ah, e as referências a João Gilberto não param no som:




















(Acima, a capa do disco do Lucas - 2009 e
duma versão espanhola do Chega de Saudade, 1º do João, de 1959)

Procurando a capa do João, dei de cara com outro cara que também notou a semelhança. Dêem um saque.

PS1:. Quem tiver juízo vai baixar agora o disco, clicando aqui (via URBe)
PS2:. No site do Lucas, cujo link tá lá acima, dá pra baixar os outros 3 discos dele. Todos recomendadíssimos.
PS3:. E vamo fazer o favor de espalhar, moçada!

sábado, 4 de julho de 2009

Mais Poesia

Vídeo da mesa 6 da FLIP, "Evocação de um poeta". Acompanhem, no canal da FLIP, mais vídeos. Dá ainda pra assistir ao vivo alguns debates, procurem aí pelo site.

T+

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Minha Galera

Outras pessoas de 20 e poucos, que se acham poetas (e o são!), e não têm a menor idéia de onde isso vai dar. Não teria graça se soubessem.



Blogs deles:
- Alice
- Gregório
- Mariano

E o meu: VersosVoadores! (auto-promoção)

domingo, 28 de junho de 2009

Rosetta e as minúncias dos Irmãos Dardenne

Pra quem gosta de cinema, outra crítica minha, essa do filme Rosetta, dos irmãos Dardenne. Um cinema interessante, muito bom o filme.



quinta-feira, 25 de junho de 2009

Entrevista (o Diploma 2)


A entrevista abaixo foi feita por um calouro da faculdade, Anderson Bispo, e foi enviada a vários estudantes de jornalismo, com a intenção de obter material para um trabalho dele.
É sobre o diploma de jornalismo e a decisão do STF de revogar a sua obrigatoriedade para o exercício da profissão. Como gostaria de me aprofundar no assunto mas não estou com saco para escrever um texto, as perguntas vieram a calhar, e as coloco aqui, com minhas respostas, óbvio.


Aderson Bispo. O que você achou da decisão da STF da não exigência do diploma jornalístico para o exercício da profissão?
Álvaro Andrade.
Acho um tanto precipitada. Não acho que a sociedade brasileira esteja preparada ainda para essa abertura, principalmente a própria classe jornalística, que em sua maioria é desunida e não consegue se fazer ouvir quando luta por seus direitos. Assim sendo, imagino que isso enfraquecerá ainda mais a categoria. Além do mais, as justifcativas dadas pelo meretíssimo foram as mais rasas. Não creio que exigir formação para se exercer algo diminu a liberdade de expressão, até porque sabemos que há diversas outras formas de se expressar e que blogs e afins estão aí para isso. Também o espaço para que outros profissionais participem do jornalismo já havia, como colaboradores e comentaristas. Acho que a decisão mostra uma falta de informação do STF.

A. B. Que mudança você acha que haverá no mercado jornalístico?
A. A.
Não creio que haverão mudanças repentinas, e não há também como saber para onde as coisas caminharão. O problema é a entrada de mas profissionais na área, gente que talvez não tenha uma pretensão futura no jornalismo, fazer que o piso salarial, que já não é muita coisa, caia ainda mais. Porém creio que o diploma continuará sendo valorizado, principalmente os diplomas que realmente digam alguma coisa.

A. B. Para você, com a decisão haverá uma diminuição da qualidade do jornalismo? Por quê?
A. A. Depende de como isso será tratado pelas empresas jornalísticas. É importante lembrar que estamos falando de comércio antes de tudo. Se priorizaem a qualidade, talvez até melhore. Mas se optarem por conseguir profissionais a baixo custo... daí ferrou tudo. Essa perspectiva torna-se ainda mais assustadora quando lembramos que o jornalismo baiano, por exemplo (tenho amigos em outros estados que me fazem crer que isso seja um problema nacional), é feito quase que majoritariamente por estagiários, que trabalham como um profissional, têm as mesmas responsabilidades, mas ganham uma merreca de bolsa-auxilio.

A. B. Isso mudou a sua vontade de prosseguir com a graduação?
A. A.
Não e nem acho que isso deva mudar a vontade de ninguém. E olhe que eu não pretendo trabalhar com jornalismo! Acho que a formação que a faculdade de jornalismo dá e o ambiente de discussão que ela propicia é muito importante e realmente decisivo. O negócio agora, principalmente para quem ainda não ingressou na faculdade, é procurar por instituições sérias e qualificadas, que possam, de fato, fazer de seu diploma um diferencial.


A. B. O que você acha do argumento de que para ser jornalista só precisa de talento e saber escrever bem e não do diploma?
A. A.
É reducionista, se posto assim. Só o talento, sem estudo, não garante nada a ninguém. Acredito que todo talento deve ser aprimorado, deve ser trabalhado. O que está em questão é se a faculdade de jornalismo é o único lugar onde isso pode ser feito. Eu acho que é o mais adequado. Não creio que os outros cursos ensinem o bastante a ponto de servirem também como de jornalismo. Entretanto, claro que é possível aprender isso sem cursar jornalismo. Só acho que não é tão simples como parecem supor os que apoiam a decisão do STF.


A. B. Para você, qual será o futuro do jornalismo nas universidades, na sociedade e no mercado de trabalho?
A. A.
É muito difícil responder a uma questão como essa. Já não sabíamos com diploma, imagina sem! Mas posso garantir que continua do mesmo jeito, não facilita nada pra ninguém.



* Anderson Bispo é calouro do Curso de Prdução Cultural e Álvaro Andrade estudante de Jonalismo, ambos da Facom/UFBA

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Diploma (post sujeito a alterações a cargo de novas piadas)



Todo mundo já deve estar por dentro da mais nova: o STF derrubou a necessidade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Eu, cá na minha, não acho que mude muita coisa. Mas que muda, ahhh muda!

(clique na imagem para vê-la ampliada)

Banco "Mãe, quero ser jornalista!" de piadas:

*
O que muda com a queda do diploma: Brasil, o país da informação - 180 milhões de jornalistas ao seu dispor.

domingo, 14 de junho de 2009

Caetaneando No Vuvox

Trabalho feito para a faculdade a partir do site Vuvox. Apesar de dar umas travadas vez por outra - porém bem menos que outros sites do tipo -, o site é bem bacana e fácil de usar. Você cria uma conta (antes de fazer sua colagem! pra não ter que refazer tudo de novo que nem um retardado aí) e manda ver com textos, imagens e música. O resultado fica até bem profissa...



Até, moçada!

domingo, 7 de junho de 2009

Dicas de blogs e tais

E aí, pessoal. Então, hoje tô passando aqui rapidinho só pra dar umas dicas mesmo. Vamo lá:

- Como eu tentei fazer quando viajei, o Antônio Prata está escrevendo em seu blog uma espécie de diário de bordo também. Com muito mais talento pra coisa mas, principalmente!, com um lap top próprio. O massa é que estou lendo e me identificando muito com as impressões dele. Estando lá é bem mais fácil entender os estereotipados americanos, estereotipados, claro, por nós, do mesmo modo que fazem com a gente. Se descobrir gringo é muito engraçado e revelador. O olhar estrangeiro tá na cara de todos, e é bacana quando a gente consegue ultrapassar um tantinho essa barreira.

- Há alguns meses foi lançado um agregador de poesia contemporânea que tem rolado bem bacana. O Poesia Hoje traz tudo sobre o tema, desde quizilas literárias a informes sobre eventos e premiações, além de muitos poemas.

- O poeta etc e tal James Martins tá mandando ver escrevendo sobre cultura pro Bahia Notícias.


Por hoje é só, pessoal. ;)




 
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